As cruzes do Calvário
Autor: Adaptação feita por Rahel Victor Lehenbauer
Tema: Páscoa
Personagens: (CP-Cruz de Pinho), (CC-Cruz de Carvalho), (CI-Cruz de Ipê)
Tempo aproximado: 15 a 20 minutos
Sinopse: Diálogo entre as 3 cruzes que carregaram Jesus e os dois ladrões. Muitas vezes não valorizamos aquilo que temos de mais precioso em nossas vidas. Não percebemos que a fé que recebemos de Jesus nos dá um valor inestimável. Se o que levamos em nossas vidas é o que nos dá valor. É importante que a gente perceba que Cristo habita em nosso coração e é Ele que dá valor às nossas vidas. Cristo é a nossa riqueza.
Perfil dos personagens: Voz de desenho animado maluco...
(CP-Cruz de Pinho) – chorona, humilde(humilhada), desmotivada, não reconhece o valor do que carrega.
[ o jargão da peça é a frase da cruz de pinho, sempre em tom de choro: “Mas e eu, eu sou apenas um pinho!” ]
(CC-Cruz de Carvalho) – ranzinza, de mal com o mundo, acredita na própria força apenas.
(CI-Cruz de Ipê) – arrogante, esnobe, fala sempre com desprezo... mas é um pouco mais “sensível”.
Montagem da Cena:
Começam em cena duas cruzes, as dos ladrões(CI e CC), a CC à direita do palco e a de ipê à esquerda, já de pé enquanto a CP está deitada de braços fechados. Chegam dois homens para pregar alguém na cruz.
Começa a cena...
(CC) – Que cheiro horrível tem esse cara que prenderam em mim!
(CI) – É mesmo, esses ladrões fedem... e olha ali, já estão prendendo mais um...
(CC) – ... só que dessa vez não parecem estar cometendo nenhuma injustiça...
(CI) – ai, não sei... olha só... eles estão pregando o cara na coitadinha da cruz...
(CC) – Ah, deixa de ser besta... olha bem pra cara dessa cruz...
(durante esse diálogo, apenas com gestos, os homens abrem os braços da CP, batem algumas vezes de cada lado e nos pés, e... começam a levantá-la do chão colocando a CP em cena no enquanto segue o seguinte diálogo(e retirando-se do palco em silêncio))
(CI) – É mesmo, olha só a cara dela...
(CC) – Tá com cara de...
(CC e CI) – Tá com cara de pinho!
(desequilibrado e ameaçando cair(sempre com os pés juntos) a cruz de pinho se apavora com a sua situação)
(CP) – Socorro! Alguém me ajude... eu to caindo... ai.. ãe...
(CI) – Calma, você logo se acostuma.
(CC) – É... cala logo essa boca... que cara mais chato!
(CI) – Só poderia ser um pinho mesmo...
(alguns olhares de desprezo são direcionados ao pinho... além de sonoplastias de arrogância)
(CP) – Como é que eu vim para aqui?
(CC) – Que pergunta mais imbecil! Só poderia ser um cara de pinho...
(CI) – A pergunta é como eu vim parar aqui... eu que sou uma madeira nobre.. onde já se viu uma cruz de ipê?
(CP) – Mas e eu... eu sou apenas um pinho!
(CC) – Ah, mas que cara chato... nada mais justo... um reles pinho virar uma reles cruz de ladrões e assassinos... mas eu, olhe só pra mim, um forte carvalho fadado a suportar o peso dessas pessoinhas pecadoras e fedorentas... isso é inaceitável... a minha vida é um “carvalho” mesmo!
(CP) – Mas e eu... eu sou apenas um pinho!
(CI) – Se eu fosse apenas um pinho ficaria contente no seu lugar por não estar em uma, uma... fogueira...
(imediatamente tanto o pinho quanto o carvalho reagem a palavra proibida)
(CC) – Não fale assim Cruz de Ipê...
(CP) – ... é, é... não fale assim... comigo.
(CC) – Não, com você pode...
(CP) – ... pode?
(CI) – Claro Pinho, você é uma madeirinha bem “vagabundinha”... mas eu fui uma nobre árvore de Ipê... criada para ser usada em fortes embarcações... quem me dera ter sido transformada em um barco, livre, para navegar pelo mundo, transportar grandes reis do mundo... coisas que somente uma árvore como EU poderia ser...
(CP) – Mas e eu... eu sou apenas um... pinho...
(CC) – Isso mesmo! Apenas um pinho e, portanto, jamais poderia transformar-se em um fortaleza, em um abrigo, ou uma grande construção arquitetônica... construções que apenas reis habitariam... Eu seria muito melhor aproveitado assim...
(CP) – Mas e eu... eu sou apenas... um...
(as cruzes completam a frase com um tom de ironia e desprezo com a chatice das lamúrias do pinho)
(CC e CI) – ...um pinho...
(CC) – Ah, que saco esse pinho “reclamão”...
(CI) – Pois é, madeira fraquinha como ele só poderia dar nisso...
(CP) – desculpa, é que... vocês sabem, eu sou apenas um... (com um choro baixinho)
(choro que é interrompido pela atenção da Cruz de Ipê)
(CI) – Hei, olha só... nossos ladrões estão conversando...
(CC) – Cala boca chorão... que a gente quer escutar...
(CI) – Este aqui está xingando o seu “carinha” pinho, ihihihih...
(CC) – ... mas esse aqui não gostou disso não... ele...
(espantada a Cruz de Carvalho continua)
(CC) – ... esse aqui disse que esse seu ladrão é um rei... Rei dos Judeus... Pinho, esse cara que você está carregando aí é importante, ele está morrendo crucificado sem ter cometido pecado algum...
(CI) – Olha só Pinho... esse era um sonho nosso... servir às glórias de um rei... e justo um Pinho, humilde como esse foi ser escolhido entre nós para carregar um rei...
(CP) – Eu fui? Escolhido...?
(CC) – É, eu não gosto de admitir mas, Pinho, você é um cara de sorte... entre nós três é você quem tem o melhor material.
(CP) – Eu tenho...? (espantado)
(CI) – tem sim... é verdade... e um rei como ele te dá um valor inigualável.
(CP) – Me dá valor...? (ainda mais impressionado)
(CC) – Claro! É a natureza do que carregamos até o fim de nossas vidas que conta.
(CP) – Eu to carregando um Rei... e Ele é a razão da minha vida...?
(CI) – Ih, está escurecendo... que medo.
(CC) – Hei, olha só... ele morreu pinho...
(CP) – ah, não... e agora...
(CI) – Calma, eu acho que a morte dele é a razão da tua vida...
(CC) – Isso mesmo...
(CP) – É verdade... a morte dEle é a razão da minha vida!